Guia operacional

Uma instrução que é preciso traduzir mentalmente já foi cumprida por aproximação

Em muitas cozinhas, hotéis e equipas de limpeza em Portugal, a pessoa que executa a tarefa e a pessoa que a escreveu não têm a mesma primeira língua. Isso não é um problema de formação. É um problema de como o procedimento está escrito e de em que língua chega ao telemóvel de cada um.

Seis princípios

Escrever uma vez, para ser percebido em várias línguas

A instrução chega na língua de quem a executa

Pedir a alguém que trabalhe numa língua que percebe por alto é aceitar que a tarefa seja cumprida por aproximação. E quando corre mal, ninguém consegue dizer se foi distração ou se a frase não foi percebida.

Uma língua de origem, escrita com cuidado

O texto tem de ser escrito uma vez, bem, na língua de quem gere. É esse original que se traduz. Corrigir a tradução sem corrigir o original garante que o erro volta na próxima alteração.

Frases curtas ganham na tradução

Orações encaixadas, ironia e expressões idiomáticas são exatamente o que se perde. “Deixar a bancada como a encontrou” não sobrevive; “limpar a bancada e arrumar os utensílios no armário” sobrevive.

Números e fotografias atravessam qualquer língua

Um valor a registar e uma fotografia de prova não precisam de tradução e não admitem duas leituras. Onde a tarefa puder pedir um número em vez de uma descrição, ganha em clareza para toda a gente.

Nomes próprios não se traduzem

Nomes de equipamentos, de salas, de produtos e de fornecedores devem manter-se como estão escritos na parede e na etiqueta. Uma sala traduzida é uma sala que ninguém encontra.

A língua é da pessoa, não do país

Numa equipa em Portugal cabem pessoas cuja língua de trabalho é o nepalês, o hindi, o ucraniano ou o português do Brasil. A definição pertence a cada pessoa, não ao espaço nem ao turno.

Erros comuns

Três maneiras de perder o procedimento pelo caminho

Traduzir uma vez e esquecer

A instrução muda em português e as versões traduzidas ficam a descrever o procedimento antigo. Passa a haver duas verdades, e a equipa que lê a versão traduzida trabalha com a errada.

Deixar a tradução para o próprio colaborador

Cada pessoa traduz de maneira diferente, no telemóvel, à pressa. Aquilo que devia ser um procedimento único passa a ser tantas versões quantos os turnos.

Misturar línguas na mesma frase

Meia frase traduzida e meia em português é mais difícil de perceber do que qualquer uma das duas versões inteira. Também torna a revisão impossível.

Como o OperadorPT trata isto

Cada tarefa tem uma língua de origem: é o texto que o gestor escreve e mantém.

Cada pessoa tem uma língua de trabalho, definida no seu perfil, e é nessa língua que a tarefa lhe aparece no telemóvel — independentemente da língua em que a aplicação está.

As tarefas que pedem um valor ou uma fotografia mostram ao gestor o resultado, e não apenas a confirmação de que alguém leu.

Um teste rápido ao que já tem escrito

Pegue nas cinco instruções mais importantes e leia-as em voz alta. Se alguma tiver mais do que uma oração, uma expressão idiomática ou a palavra “adequado”, reescreva-a.

Depois pergunte a alguém da equipa que não tenha o português como primeira língua o que é que faria a seguir a ler cada uma. A diferença entre a resposta e o que esperava é o trabalho que falta fazer.

Perguntas frequentes

A tradução automática chega para instruções de trabalho?

Chega para dar sentido a uma frase curta e bem escrita, e é aí que ela funciona. Não chega para texto longo, ambíguo ou com expressões idiomáticas — que aliás também não devia estar numa instrução de trabalho em língua nenhuma.

Devo traduzir os nomes dos equipamentos e das salas?

Não. O que está escrito na etiqueta, na porta ou no painel deve aparecer igual na instrução, seja qual for a língua. Traduzir um nome próprio obriga a pessoa a adivinhar a que objeto se refere.

E se alguém da equipa não sabe ler bem em nenhuma língua?

Nesse caso a tarefa tem de assentar no que não depende de leitura: uma fotografia do estado correto, um valor a registar, uma sequência curta e sempre igual. É também por isso que vale a pena reduzir a lista ao essencial.

Como é que o gestor confirma que foi percebido?

Pelo resultado, não pela confirmação. Uma tarefa que pede um valor ou uma fotografia mostra logo se foi percebida; uma que pede apenas um “feito” não mostra nada, em nenhuma língua.

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