Guia operacional

Um mapa de temperaturas sem nenhum valor mau não convence ninguém.

Quase todos os estabelecimentos com frio têm um mapa de temperaturas. Uma boa parte deles é preenchida de cor, no fim do turno, com números que ninguém mediu. Não é desleixo da equipa: é o que acontece quando o registo é desenhado para ser arquivado em vez de ser usado.

Quatro sinais

Como se percebe que um registo não foi feito na hora

A folha preenchida no fim do dia

Uma coluna de valores escrita de memória às onze da noite não é um registo: é uma reconstituição. Nota-se, e nota-se depressa — os números ficam demasiado parecidos entre si, e nenhum deles é feio. Um registo verdadeiro tem variação, tem horas irregulares e, de vez em quando, tem um valor mau.

Nunca há um valor fora do intervalo

Um equipamento que trabalha meses sem nunca sair do intervalo, nem depois de uma entrega grande, nem num dia de calor, está a dizer mais sobre quem preenche do que sobre o frio. Um histórico sem nenhuma leitura má é um histórico que ninguém acredita.

O valor é anotado, e acaba ali

Registar 9 °C numa câmara que devia estar a 4 °C e passar ao ponto seguinte é o pior dos mundos: fica prova documentada de que se sabia, e não fica prova de que se fez alguma coisa. Um valor fora do intervalo tem de abrir trabalho, não fechar uma linha.

Ninguém sabe qual é o intervalo

Se o limite aceitável vive na cabeça do encarregado, cada pessoa que o substitui usa outro. O intervalo tem de estar escrito ao lado do campo onde se escreve o número, no momento em que se escreve.

O que fazer em vez disso

Quatro decisões que tornam a série credível

Medir onde interessa, não onde é cómodo

O ponto de medição tem de ser sempre o mesmo, e tem de ser o mais desfavorável — habitualmente o mais afastado do evaporador, ou o produto e não o ar. Duas pessoas a medir sítios diferentes produzem duas séries que não se comparam.

Uma leitura no arranque e outra sob esforço

A leitura da abertura diz como a noite correu. A leitura depois de uma entrega, ou a meio do serviço, diz se o equipamento aguenta quando lhe pedem alguma coisa. É a segunda que apanha os problemas antes de eles custarem produto.

O número escrito por quem o leu

Quem mede escreve, na hora, com o seu nome associado. Não por desconfiança: porque quando surgir uma dúvida daqui a três meses, a pergunta vai ser «quem viu isto?», e alguém tem de conseguir responder.

Um caminho pronto para o valor mau

Antes de aparecer o primeiro valor fora do intervalo, já deve estar decidido o que acontece a seguir: quem é avisado, o que se faz ao produto, e quem confirma que ficou resolvido. Decidir isso no momento, com a cozinha cheia, é decidir mal.

Onde o OperadorPT entra

A leitura é pedida como parte da tarefa do turno, no telemóvel, com o intervalo esperado escrito ao lado do campo onde se escreve o número.

O valor fica com hora e autor no momento em que é escrito, e não numa folha transcrita mais tarde.

O que está fora do intervalo segue para incidentes, com responsável e seguimento, em vez de ficar a ser um número esquisito numa coluna.

Por onde começar esta semana

Escolha um único equipamento — o que mais lhe custaria perder — e defina duas leituras por dia, sempre nos mesmos momentos e no mesmo ponto.

Escreva ao lado o intervalo aceitável e, numa linha, o que acontece quando o valor sair dele: quem é avisado e quem confirma que ficou resolvido.

Ao fim de duas semanas olhe para a série. Se não tiver nenhuma variação, o problema não é o frio: é o registo.

Perguntas frequentes

Com que frequência se deve registar a temperatura?

Menos vezes do que a vontade pede, e sempre nos mesmos momentos. Uma leitura na abertura e outra num momento de esforço — depois de uma entrega, ou no pico do serviço — dizem mais do que seis leituras espalhadas que ninguém consegue cumprir todos os dias. Uma frequência que não é cumprível ensina a equipa a inventar valores.

Vale a pena tirar fotografia ao termómetro?

Vale onde o valor pode vir a ser contestado: um equipamento com histórico de avarias, uma receção de mercadoria, uma leitura fora do intervalo. Pedir fotografia em todas as leituras torna a rotina lenta e, ao fim de duas semanas, as fotografias deixam de ser olhadas por alguém.

O que fazer quando o valor está fora do intervalo?

Tratá-lo como um incidente e não como uma linha por preencher. Precisa de responsável, de uma decisão sobre o produto afetado e de uma data em que alguém confirma que ficou resolvido. Um valor mau bem tratado vale mais, perante quem verifica, do que uma série inteira de valores bons.

Preciso de sondas ligadas para ter registos de confiança?

Não necessariamente. Uma sonda automática resolve a frequência e a memória, mas não resolve a decisão: continua a ser preciso alguém que veja o alarme e faça alguma coisa. Muitas operações pequenas ficam melhor servidas com leituras manuais poucas, feitas na hora, com um caminho claro para o valor mau, do que com um sistema que ninguém vigia.

Durante quanto tempo se guardam estes registos?

Depende do setor e do que estiver definido no plano de cada empresa — é uma pergunta a fazer a quem acompanha a segurança alimentar do estabelecimento. Do lado da ferramenta, o que interessa é que o histórico fique guardado e exportável, para que a resposta não dependa de alguém se lembrar de arquivar folhas.

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